Usaram Minha Imagem em Site de Golpe: o Que Influenciadores Devem Fazer Imediatamente (e Como se Proteger Legalmente)
- Karoline Hoffmann
- 21 de jan.
- 3 min de leitura

Se você é influenciador e já recebeu aquela mensagem dizendo “encontrei sua foto em um site estranho”, saiba: você não está sozinho e isso é mais sério do que parece.
Nos últimos meses, aumentou de forma expressiva o número de sites falsos que utilizam a imagem de influenciadores para simular avaliações, depoimentos e recomendações que nunca existiram. O golpe funciona de forma simples e eficiente: o site cria uma loja aparentemente normal, insere a foto de pessoas públicas, inventa nomes e cria avaliações cinco estrelas, induzindo o consumidor a comprar acreditando que aquele produto foi indicado por alguém em quem confia.
O problema é que, além de ser um golpe contra o consumidor, esse tipo de prática gera riscos jurídicos reais para o influenciador cuja imagem está sendo usada.
Quando a sua foto aparece associada a uma “avaliação falsa”, o consumidor entende que houve uma recomendação. E, se houver prejuízo, o primeiro nome que ele vai procurar não é o do golpista é o seu, parece injusto, mas esse transtorno pode bater à sua porta. Isso pode gerar reclamações em Procon, denúncias em plataformas, dano à reputação e até discussões sobre responsabilidade por publicidade enganosa por aparência.
Do ponto de vista jurídico, estamos diante de uma combinação de ilícitos: uso indevido de imagem, falsificação de identidade, publicidade enganosa, estelionato digital e violação da Lei Geral de Proteção de Dados. Ou seja, não é “só um site fake” é um esquema completo de fraude digital. Por isso, o que você faz nas primeiras horas depois de descobrir o golpe faz toda a diferença.
O primeiro passo é documentar tudo: prints da página, URLs, datas e, se possível, lavrar uma ata notarial. Em seguida, é essencial enviar uma notificação extrajudicial exigindo a retirada imediata da sua imagem e das avaliações falsas, além da identificação dos responsáveis pelo site. Esse documento cria prova, constitui os golpistas em mora e prepara o caminho para medidas judiciais e criminais.
Ao mesmo tempo, deve-se acionar os mecanismos técnicos de derrubada do site, como denúncias ao provedor de hospedagem, ao registro do domínio, ao Google Safe Browsing e aos meios de pagamento usados pela loja. Na prática, muitos desses sites saem do ar em 48 a 72 horas quando esse protocolo é feito corretamente.
Outro ponto importante é a comunicação com o público. Um story ou post fixado informando que sua imagem está sendo usada indevidamente, que você não tem qualquer parceria com aquela loja e que medidas legais já foram tomadas ajuda a proteger sua reputação, demonstra boa-fé e reduz o risco de responsabilização.
Além de reagir, o influenciador que trata sua marca pessoal como um ativo profissional precisa pensar em prevenção. Monitoramento de uso de imagem, cláusulas contratuais de crise digital, protocolos de takedown e uma estrutura jurídica de resposta rápida não são mais “extras” são parte da gestão de risco de quem vive da própria imagem.
Casos como esse mostram que crescer na internet também exige estrutura jurídica. A autoridade digital precisa vir acompanhada de blindagem legal.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a análise jurídica individual de cada caso. Se você desconfia que sua imagem está sendo usada em golpes online ou quer estruturar a proteção jurídica da sua marca como influenciador, nossa equipe pode te orientar e agir rapidamente para proteger sua reputação.