• Karoline Hoffmann

Uso descontrolado de Inteligência Artificial vira motivo de preocupação para a Unesco

Texto publicado recentemente pela organização recomenda padrões éticos no uso da tecnologia; países membros concordam com os termos



Garantir a liberdade e a privacidade, coibir a vigilância em massa e evitar a discriminação com base em dados pessoais. É isso que pretende, ao lançar o primeiro texto com recomendações de usos éticos de Inteligência Artificial, a Unesco.


Segundo a organização, essa tecnologia – que já está presente em quase tudo: de uma sugestão de notícia no celular à indicação do melhor trajeto a ser percorrido no trânsito – tem sido usada de forma invasiva, a ponto de violar os direitos humanos e as liberdades individuais. Tanto governos quanto empresas estariam fazendo mau uso dela.


De acordo com o documento, a Inteligência Artificial deve ser usada de modo a promover o respeito, os direitos humanos, a diversidade e a inclusão; jamais para negá-los. O texto também cita a importância da promoção de sociedades pacíficas e da preservação do meio ambiente – coisas que a IA, em mãos erradas, pode ir contra.


Se colocados em prática, os termos estabelecidos pela Unesco guiarão “a construção do quadro jurídico necessário para garantir o desenvolvimento saudável da Inteligência Artificial”. Os 193 países que fazem parte da organização concordaram com as normas. Resta, agora, saber se serão cumpridas.


Escândalos


A Inteligência Artificial já esteve no centro de diversas polêmicas, que vão de discriminação de minorias a vigilância hostil por parte de governos. Um exemplo recente de polêmica envolvendo o uso de IA é o caso do Facebook e da Cambridge Analytica.


As empresas são acusadas de influenciar a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, vazando dados pessoais de usuários que, mais tarde, seriam vendidos à campanha política. Elas também são acusadas de, por meio de seus algoritmos, manipular informações e disseminar notícias falsas, com o objetivo de dar mais engajamento e visibilidade ao candidato. O caso foi parar na corte norte-americana.

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